terça-feira, 23 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Amizade, o sentimento que sustenta o homem
Se o amor é o sentimento que move
o homem, a amizade é o que o sustenta.
Assim como o
amor, a amizade pode acontecer entre quaisquer pessoas, em qualquer lugar. Pode
ser numa fila de banco, num corredor de ônibus, numa sala de aula, num ambiente
de trabalho e até mesmo pela internet e sempre começa de uma conversa
despretensiosa, que tinha tudo para durar apenas cinco minutos, mas perdura por
toda uma vida. Amizade não tem preconceito, não tem cor, não tem idade. Amizade
não tem explicação, mesmo por que não se busca isso numa amizade. No amor, até
muitas vezes há um questionamento do tipo: “ah, por que amo tal homem?”, “por
que e como fui amar de tal forma tal mulher?”. Na amizade, se é amigo, e ponto.
Não existe
intensidade para se medir uma amizade, não existe (embora muita gente afirme
isso) um melhor amigo; pode até
existir um amigo mais próximo, um alguém com quem se tem uma maior afinidade,
mas todos são igualmente amigos.
Quantas vezes
não vemos ou não falamos com um amigo há anos, e quando os reencontramos tem-se
a impressão de que se esteve com ele há dois dias? Quantas vezes não vemos uma
pessoa há apenas uma semana e, quando o reencontramos, o abraçamos de tal forma
como se fosse uma saudade tão intensa que já perdurava por séculos? Amizade é
isso, não há tempo.
Muitas vezes,
temos amigos que muitas vezes nem percebemos, mas que estão e sempre estiveram
ali, presentes, como os pilares de uma construção, como os pilares responsáveis
pela sustentação do homem, fortes, inabaláveis.
Há quem diga
que por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher, eu ouso afirmar
que ao redor de um grande ser humano há amigos.
Amigos estão
sempre presentes quando mais precisamos, e até mesmo quando não os percebemos,
eles estão ali. Pensamos neles quando não pensamos. São as vozes que escutamos
quando estamos em silêncio, são o silêncio do respeito, da paz, quando mais
precisamos, são companhia mesmo quando estamos sós. Solidão não existe quando
se tem amigos, pois eles nunca nos deixam estar e nos sentir sozinhos, mesmo
quando estão distantes de nós.
Sempre há um
bom ombro amigo por perto. Sempre há um abraço acolhedor de um amigo quando
mais precisamos dele. Amigos têm esse dom,
de estarem sempre perto. É uma espécie de premonição, uma ligação inexplicável
que há entre as pessoas. Não há, talvez, nada que melhor defina a amizade do
que calor. Sim, calor! Quando estamos perto de um amigo não há frio, pois reside
nos braços, ombros e abraços de um amigo uma inesgotável fonte de calor, sempre
pronta a nos acolher.
Amigos não
precisam de palavras para se comunicar, um simples olhar basta, um sorriso
estampado no rosto diz tudo, uma lágrima diz muito. Os ouvidos, sempre prontas
para ouvir, têm uma a paciência inesgotável, e em suas bocas, em suas palavras,
reside a sabedoria. Amigo, teus
sobrenomes são sabedoria e paciência.
Muitas vezes
te magoamos, amigo, por motivos diversos, por não lhe termos dado ouvidos da
mesma forma que nos destes, mas não o fazemos por mal. Entenda-nos, por favor,
compreenda nossa natureza falha, humana.
Somos todos humanos, falhos, erramos e pecamos, enquanto tu, amigo, és feito de
natureza divina.
Não
se existe ex-amigo, pois amizade, quando verdadeira, não cessa, mesmo quando
ambas as partes se magoaram, quando se machucaram. Amizade é como um fogo
sagrado, de fonte inesgotável, que transmite infinito calor e luz. Há rusgas,
há magoas, sim, entre amigos, mas há, acima de tudo, perdão, compreensão e
respeito mesmo nas palavras não-pensadas proferidas.
Amizade
é como um verdadeiro amor, é pra sempre, é para toda uma eternidade. São sentimentos
que muitas vezes se confundem, que se metamorfoseiam um no outro, mas que nunca
deixam de ser uma espécie de amizade, que nunca deixam de ser uma espécie de
amor.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
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Meu terceiro livro, Elegia à Saudade & outras histórias do
Lugar das Palavras ainda não foi lançado, mas você pode ser o primeiro a
ganhar um exemplar. Para isso basta deixar um comentário nesta postagem dizendo
qual a crônica, artigo ou “crítica literária”, entre as que leu, a que mais
gostou, e estará automaticamente concorrendo.
Super simples: deixou comentário,
falou o título do texto que mais gostou, seja ele dos mais antigos, seja ele
dos mais recentes, concorre.
O sorteio acontecerá no dia 25 de
novembro e todos podem concorrer, seja morador do Rio Grande do Norte, Rio
Grande do Sul, Amazonas, São Paulo, Japão, Portugal, Espanha, Estados Unidos ou
Rússia, que o seu livro será enviado.
Você também poderá ganhar um
exemplar da segunda edição de Uma
História em Cinco Vozes e um de Espelho
Quebrado.
Deixe sua opinião, participe e
ganhe.
domingo, 14 de novembro de 2010
Cognomes
Sabe aquele assunto que parece
que você é o único ser vivente na Terra que repara e sente grande fascinação?
Algo como o único assunto numa mesa de bar que você puxa, se empolga, começa a
falar com tal empolgação que nem repara que todos estão em silêncio, olhando
fixamente para você e que, quando você termina, um alguém se levanta, agradece
a companhia de todos, mas que tem que ir embora? Algumas pessoas, por vezes,
até reparam no assunto, mas nem se dão conta do que realmente significa e por
que está ali? Pois bem, quando o assunto é cognome eu me sinto assim.
Sempre
tive grande fascinação por cognomes, por aqueles que verdadeiramente se
incorporam de tal forma ao nome da pessoa que fica impossível dissociá-lo. Algo
como Ricardo Coração de Leão. Se não fosse seu cognome, ele seria só mais um
homem chamado Ricardo. Já pensou se nós fôssemos estudar a história dos
monarcas e das cruzadas e, ao nos referirmos a ele, falássemos apenas Ricardo, ao invés de Ricardo Coração de Leão? Há exemplo
também do próprio irmão de Ricardo Coração de Leão, que recebeu a alcunha de
João Sem Terra. Exemplos, há aos milhares, principalmente naquele período
histórico da Idade Média, início da Renascença, Cruzadas, mas se recuarmos um
pouco no tempo, iremos encontrar muitos e célebres cognominados. Até hoje em
dia ainda se usa o cognome que, de tão forte e marcante que é, substitui até os
sobrenomes e, se brincar, eles estão até lá no Registro Civil da pessoa, pela
forma com que se incorporou à sua pessoa, se tornando mais do que uma alcunha,
recebendo mesmo o valor de um sobrenome, que, sem ele, não se é ninguém.
O
cognome é algo que qualifica, que tem estreita relação com a personalidade,
feitos e a história da pessoa, que o faz até ultrapassar os tempos e ser
conhecido por vários séculos vindouros. O cognome é único e próprio, que o
filho não herda do pai, mas que tem que conquistar o seu próprio.
Cognomes
existem desde tempos imemoriais e distinguem pessoas, mas há casos, também, de
personagens da literatura que os receberam. Dom Quixote, por exemplo, o maior
herói da cavalaria andante da história e da literatura mundial, recebeu o
cognome de Cavaleiro da Triste Figura,
mas, devido a sua bravura, ficou conhecido, mais tarde, como Cavaleiro dos Leões, depois do episódio em
que desafiou um leão e saiu vencedor.
Há
grandes monarcas e cavaleiros que receberam cognomes para distingui-los, de
forma que encontramos até em livros de história, como nos anais da história de
grandes reinados, como da França, desde a época da Dinastia Carolíngia. Temos,
por exemplo, Pepino III, que ficou conhecido como O Breve ou O Moço, Carlos
Magno, O Grande, Luís, O Piedoso, Filipe III, O Bravo ou O Ousado, Luis XIV, o Rei-Sol
ou o XV, O Bem Amado; na Inglaterra
temos, além de Ricardo Coração de Leão e João Sem Teto, encontramos Guilherme I, O Conquistador, entre tantos outros;
na Espanha vemos Filipe II, O Prudente,
Filpe IV, O Grande. Encontramos
grandes nomes, uns mais conhecidos, outros, talvez, nem tanto. Mas há também
cognomes não tão desejados, como é o caso da rainha Isabel II, da Espanha, que
é conhecida como A Chata, Carlos II,
também da Espanha, O Amaldiçoado,
Maria I, da Inglaterra, A Sanguinária,
Eduardo I, o Pernas Longas, na
França, Luis VI, O Gordo, Luis II, O Gago, Carlos II, O Calvo e já houve até uma que ficou conhecida como A Rainha Louca. Cognomes podem ser graus
de distinção, algo que o qualifica, mas também pode ser uma característica, o
fato é que o cognome está de tal forma imbricado ao nome do indivíduo que se o
retirássemos ele seria apenas mais um.
Hoje
em dia temos famosos cognominados, principalmente no esporte. Como, por
exemplo, jogadores de futebol. Temos Adriano, O Imperador, Luís Fabiano, O
Fabuloso e Ronaldo, Fenômeno, sem
bem que este esteja recebendo um outro cognome, depreciativo, devido à sua
forma física, ficando mais conhecido como Ronaldo Bola ou Ronaldo, O Gordo.
Mas
se engana quem acha que os cognomes são exclusividade para os ricos, poderosos
e famosos. Temos ilustres anônimos que recebem seus cognomes em todos os cantos
do país que se vá. Não existe uma feira de bairro que não tenha o seu José da Barraca de Fruta, o Chico Peixeiro, o João Vendedor de Verdura, o Manoel Açougueiro,
entre tantos outros.
Passei
os últimos dias pensando no cognome que eu receberia, por alguma distinção,
característica ou coisa que o valha. O cognome, como já disse, tem que ser algo
que verdadeira se incorpore ao meu nome de batismo, algo que seja uma marca
minha. Cognome não é uma palavra, mas
sim algo que me seja próprio, que me
torne único.
Eram
horas angustiantes as que eu passava, em busca de meu cognome, quando expus os
motivos de minha aflição a um amigo, que me respondeu dizendo que eu deveria me
chamar Lima Neto, o Talvez. Achei,
óbvio, aquela ideia o cúmulo do ridículo. Que diabo era um cognome como aquele,
Talvez? Pensava em algo como Lima
Neto, O Escritor, Lima Neto, O Livreiro, o mesmo Lima Neto, O Chato, O Resistente às Novas Tecnologias ou mesmo O Preguiçoso, mas estes me pareceram muito óbvios, algo como um
Lugar Comum, que poderia ser o cognome de qualquer pessoa, não sendo
necessariamente só meu. Mas pensando melhor, vi que o Talvez realmente tenha
sido uma marcante característica minha, ao longo de toda a vida. O Talvez
sempre me eximiu da culpa de um Sim dado em um momento errado e me tirou a
responsabilidade de um Não inoportuno. Eu sempre fui uma espécie de Meio-Termo,
nem sim nem não, sempre fui o Talvez. Então fico eu a partir de hoje, o Lima
Neto, O Talvez. Tudo bem que talvez
você, leitor, fique bestificado com os rumos que tomou essa crônica, talvez até
nem volte a visitar esse blog, de tão chateado que ficou e esteja pensando
seriamente que Talvez eu precise fazer uma visita a um psiquiatra. Pois é,
definitivamente, o Talvez bem que combina comigo e irá ser incorporado ao meu
nome de batismo e irei carregá-lo a partir de hoje até o fim de meus dias.
domingo, 7 de novembro de 2010
Um nobel de literatura para o Brasil, quando teremos?
Há
alguma semana saiu o tão aguardado anúncio do escritor laureado com o Nobel de
literatura de 2010. Fiquei feliz com o resultado, com a maior honraria da
literatura mundial sendo dada a um escritor latino-americano, peruano, que tem
uma relação tão estreita com o Brasil, tendo, inclusive, uma de suas maiores
obras, Guerra do Fim do Mundo, sido
inspirada num marcante episódio da história de nosso país e num livro em
especial: Os Sertões, de Euclides da
Cunha.
Mário
Vargas Llosa é um escritor com um longo engajamento político, um escritor cuja
obra não se resume só e unicamente aos méritos literários. A obra do peruano congratulado
com o Nobel de literatura ultrapassa as fronteiras da literatura e está
inserida num contexto histórico, político, sociológico e cultural. Repleta de
personagens marcantes, sua obra cativa leitores de todo o mundo, apaixonados e
amantes da verdadeira literatura.
No
mesmo dia em que fiquei sabendo que Llosa tinha ganhado o Nobel, um amigo me
parou para perguntar o que eu tinha achado da premiação. Achei a premiação
justa, uma vez que o escritor tem uma obra tão vasta e importante e fiquei
feliz, por ele não ser um inteiro desconhecido, para mim. Já li dois livros
dele, um que adorei, e outro nem tanto assim. Mas aí esse mesmo amigo foi o
soltou a pergunta que me deixou por dias e mais dias pensando: e nós, quando
teremos um Nobel?
Realmente,
nós, brasileiros, não temos nenhum Nobel, seja lá em que área for: química,
física, medicina, paz, economia, literatura, etc. Ser congratulado com o Nobel é
um reconhecimento pelo trabalho realizado, seja ele em prol da ciência,
sociedade ou arte (como, no caso, a literatura) e apesar de haver as
contestações (sempre há) e interesses, tal prêmio é um gral de distinção dentro
de um contexto no que se refere ao avanço da ciência e pesquisa. O Nobel é um
motivo de orgulho à nação do vencedor.
Mas
e na literatura em específico, quando ganharemos tal distinção? Para ser
sincero, eu não saberia responder a tal questão. Hoje, dentro da literatura
brasileira, eu não consigo enxergar um grande nome, uma “unanimidade”. Temos,
lógico, grandes escritores, como João Ubaldo Ribeiro, Cristóvão Tezza e Milton
Hatoum, poetas magníficos, como Ferreira Gullar, entre tantos outros, como
Nélida Piñon, Ignácio de Loyola Brandão, etc. alguns desses, inclusive, já
tendo recebido inúmeras premiações, inclusive internacionais. Temos outros
grandes escritores, sem dúvida, mas estes que citei representam, na minha
humilde opinião, o que de melhor há no contexto da literatura brasileira.
Analisando
a história e os nomes da literatura brasileiro desde o início do século XX,
surgem nomes de peso, autores
magníficos, que bem poderiam ter recebido a honraria do Nobel, pela importância
de sua obra. Podemos citar escritores como Jorge Amado, Érico Veríssimo,
Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa, Clarisse Lispector, José Lins do Rêgo,
Fernando Sabino, poetas espetaculares, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de
Moraes, mas, hoje, a literatura brasileira passa por um processo de “renovação”,
de criação de uma identidade, para, só então, se criar esse grande nome.
A
literatura brasileira, hoje, está carente. Não se há um grande nome que inspire respeito, como o foram alguns dos
escritores do século XX e outros tantos que os precederam.
Paulo
Coelho? Sem comentários. Ele tem lá seus méritos, sim, embora a crítica o
condene, mas é inegável a sua importância dentro do mercado editorial. Chico Buarque?
Falar dele é perigoso, uma vez que seu nome inspira tanto respeito,
principalmente por conta de sua estupenda história dentro da música brasileira.
Talvez Chico, como escritor, romancista, seja mais respeitado como compositor
do que por seus méritos literários propriamente ditos. Seus leitores confundem
os dois Chicos. Ganhou inúmeros prêmios, inclusive esse ano, de 2010, sendo
honrado com o Jabuti, o mais importante prêmio da literatura brasileira, mas,
torno a dizer, seu respeito seja mais dado por conta de sua história e seu
talento dentro de outras artes que não a literatura. Não estou dizendo, aqui,
que Chico Buarque seja um mau escritor ou coisa do tipo (não me entenda mal,
amigo leitor, por favor), o que questiono, e sempre questionei, está no fato do
nome Chico Buarque, dentro da
literatura, ser superestimado. Luiz Fernando Veríssimo? Grande cronista, sem
dúvida. Gosto muito de seus textos, mas ele está longe de ser um Nobel. Martha Medeiros? Outro grande nome dentro do gênero crônicas, mas sua literatura ainda tem
muito a amadurecer, ela ainda terá que incursionar em outros estilos, escrever
mais, para só então se firmar como um grande nome dentro do cenário nacional da
literatura. Talvez, só tenhamos nomes de maior respeito, “unanimidades” dentro
da literatura infanto-juvenil. Nesse segmento da literatura estamos muito bem
representados, com escritores como Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Ziraldo, Ana
Maria Machado, Lygia Bojunga, entre tantos outros. Esses escritores semeiam
hoje a literatura naqueles que serão os leitores
de amanhã. Mas infelizmente, literatura infanto-juvenil não ganha Nobel!
Talvez,
daqui a alguns anos surja e seja reconhecido um grande escritor, respeitado
pela crítica e público, não só aqui, no Brasil, mas também no exterior, que
possa, que seja digno de ser honrado com o Nobel de Literatura. Tomara que eu
ainda esteja vivo daqui pra lá, que possa sentir orgulho ao ver meu “irmão de
pátria” ocupar o “posto mais alto” da literatura mundial.
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