domingo, 18 de julho de 2010

A Humilhação - Livro da Semana

É sempre fácil e ao mesmo tempo difícil se falar de Philip Roth. O que se pode falar de um autor que é tido como um dos maiores nomes da literatura de língua inglesa da atualidade?! O que se pode falar de um autor premiadíssimo, respeitadíssimo pela crítica e público, que é sempre um dos mais contados a ganhar o prêmio máximo da literatura mundial, o Nobel? Prêmio este que, tenho absoluta certeza, ela vai ganhar, mais cedo ou mais tarde, pois qualidades não lhe faltam para isso.
            Eu já li dois livros de Philip Roth, o primeiro, O Homem Comum eu achei interessante, sem dúvida, mas talvez demasiado comum, já o segundo, Indignação me surpreendeu de tal maneira que o coloquei entre os melhores livros que li no ano passado e um dos melhores da literatura norte-americana contemporânea que já li. Fui ler, então, seu novo livro, A Humilhação, com uma grande expectativa, mas com aquela idéia de que “deve ser um bom livro, sem dúvida, mas não tanto quanto Indignação”. Mas que surpresa eu tive ao mergulhar na história de Simon Axler! Livro curto, mas de uma intensidade tal que deixa o leitor em transe durante toda a história. O leitor se vê preso nas teias daquela história magnificamente bem contata, se vê bebendo as palavras, expectante para saber como irá terminar a história até a última linha (o livro é desses que realmente só termina – e lhe surpreende – na última frase).
            O livro acompanha a história de Simon Axler, um respeitadíssimo ator que, ao chegar “a casa dos sessenta e cinco”, vê que todo o seu talento como que tenha lhe abandonado. Ele não consegue mais atuar e sequer subir num palco, após três tentativas infrutíferas, sendo que na última delas não tinha sequer uma plateia para assisti-lo. Interpretar, atuar, o teatro, o palco eram a sua vida, então, como que abandonado de seu talento, desenvolve um quadro de depressão. Seu medo, ao se ver naquela situação, é não conseguir mais voltar, nunca, a subir no palco, que sua vida tenha chegado ao fim. Ao pensar nisso, com medo de atentar à sua própria vida, resolve se internar numa clínica.
            Na clínica, ele se sente parcialmente curado daquele medo, daquela depressão que o afligia, no entanto, não recupera o sua autoconfiança, que lhe possibilitaria a coragem de tornar a subir num palco e atuar. Após ter perdido (sido abandonado, na verdade) por sua esposa, passa a viver sozinho em uma pequena cidade, longe e distante da maioria das pessoas, mas reencontra um sentido para a sua vida na paz dos braços de uma mulher, criança que ele viu nascer, filha de um casal de atores seus amigos de longa data. Ela, uma ex-lésbica, tão perdida e só quanto ele, passava por uma série de problemas e crises. Os dois então se encontram e vivem uma intensa paixão, ele, um homem experiente, um ator depressivo que não consegue mais atuar, e ela, uma mulher que vive a primeira experiência com um homem em sua vida. Esse relacionamento, tão intenso, sofrerá uma série de adversidades, entre elas a não aceitação dos pais dela e o ciúme da ex-companheira dela, que não aceita o término do relacionamento.
            Relacionamento intenso e perigoso, que, tal como num palco, terá seu fim quando se fecharem as cortinas.
            Livro intenso e marcante, A Humilhação, figura, já, entre os maiores da literatura norte-americana. História surpreendente, com personagens muito bem cosntruídos e explorados, que vivem suas vidas no limite, não como de atores sobre um palco, em frente a uma plateia, mas vivem suas vidas sem máscaras e atuações, tais como devem ser vividas.

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