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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 de leitura

Nunca um ano foi tão recheado de leituras de tão variados gêneros quanto o foi o de 2014 para mim. Para constatar este fato, bastou eu dar uma olhada para os livros que iniciei e o com qual finalizei o meu ano de leitura: Oblomóv, de Ivan Goncharov (como virou tradição minha, abrindo o ano de leituras com um grande clássico da literatura mundial) e Calvin & Haroldo – criaturas bizarras de outro planeta!, respectivamente. Entre um e outro, li clássicos da literatura mundial, best-sellers, quadrinhos, livros de filosofia, de crítica literária, de teoria literária, de história da literatura, etc. Li russos, brasileiros, japoneses, norte-americanos, gregos, contemporâneos e clássicos. Com uns, eu me identifiquei enormemente, devorando-os, saboreando palavra por palavra, mas também de decepcionei. Descobri obras extraordinárias, que eu me pergunto até hoje como pude não tê-las lido antes, e outras eu poderia ter ficado sem ler...
            Foram, no total, neste ano de 2014, 46 livros lidos, sendo que destes, um foi uma releitura, As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, o meu livro e meu autor favorito da literatura norte-americana. Desfrutei e aprendi muito lendo filosofia, crítica e teoria literária, e dos livros desses gêneros, o que mais mexeu comigo, o que me foi mais impactante foi o Sobre o ofício do escritor, de Schopenhauer. Livro curtinho, que “dá para ser lido de um fôlego só”, como se diz popularmente, mas trata-se de uma obra tão crítica, tão pesada, tão edificante e reflexiva, que eu passei semanas para finalizá-lo. Outro gênero de leitura que muito contribuiu para a minha formação, que muito me fez refletir, e que de quebra me arrancou gargalhadas, foram os quadrinhos, com destaque para os três de Calvin & Haroldo que li ao longo do ano, mas não foram só quadrinhos engraçados e lúdicos que li neste ano. Li também a versão adaptada de Guerra e Paz, do qual não gostei nenhum pouco (está uma adaptação muito fraca, completamente superficial), e Sandman – os caçadores de sonhos, do Neil Gaiman, que é uma das mais delicadas e belas histórias de amor que já li em minha vida.
            Ponto negativo está no fato de eu nunca ter finalizado um ano me sentindo tão frustrado. Não falo da quantidade de livros lidos (um pouco abaixo dos anos anteriores), mas dos livros que não consegui ler por motivos diversos (entre eles, o maior é a falta de tempo). Foram tantos os livros não lidos que ficaria impossível listar todos, mas não poderia deixar de citar O ladrão do tempo, do John Boyne, os dois últimos da Jody Picoult, O Homem que amava os cachorros (que prometi para mim mesmo, e para a minha amiga Nicolle, que seria o segundo livro a ser lido em 2015), No silêncio entre dois suspiros, Doutor Sono, os novos livros de Amos Oz e de Ian McEwan, etc., etc. e etc.
            Outro fator que me chamou a atenção (que não sei se é algo positivo ou não) é o fato de, em 2014, eu não ter tido uma “unanimidade” de melhor livro do ano. Se em 2013 eu tive O Arroz de Palma a receber os louros de “melhor livro”, em 2014 eu não tive, em minhas leituras, uma obra que tenha se destacado tanto assim. Li o segundo livro do autor, Doce Gabito, que é MUITO BOM, em busca daquele que seria “o livro do ano”, e o livro é, na minha opinião, mais maduro do que o anterior, que tem um andamento narrativo mais bem definido, com mais personagens mais bem desenvolvidos, mas que não é tão surpreendente quanto O Arroz... e acabou ficando o Gabito entre os cinco melhores livros de 2014, mas o pódio ficou com O Melhor do Teatro Grego, publicação da editora Jorge Zahar que consiste numa reunião de quatro peças significativas do teatro grego; Marcoré, de Antônio Olavo Pereira, obra de literatura nacional extraordinária; e Sobre o ofício do escritor, de Schopenhauer. Para fechar o meu “top 5” de 2014, ocupou o lugar o livro O último dia de um condenado, de Victor Hugo. Merecem menção os livros Misery, de Stephen King, que é fodástico (fico me perguntando como pode um escritor prender e deixar o leitor tão tenso numa história que contém basicamente DOIS personagens e UM cenário!), o A Estrela de Prata, de Jeannette Walls, os dois de Sue Monk Kidd e o magnificamente bem escrito, reflexivo, poético e melancólico Quarto de Hotel, de meu grande amigo Adauto Carvalho.
            Li alguns livros bons, mas dos quais esperava bem mais, com destaque para Os Demônios, de Dostoievski, que, dos romances do escritor russo que eu li, foi o menos empolgante e intenso e Vinte mil léguas Submarinas, que é muito extenso e cansativo, repleto de detalhes e descrições que atestam a genialidade e conhecimento técnico do escritor, mas que, como foi o caso de excesso, acabou “travando a leitura”. Outros livros, de outros gêneros, me fizeram “salivar” quando li as sinopses e comentários, mas que me deixaram um tanto quanto decepcionados quando (e enquanto) os li, como O Fio da vida, que tem um início esplendoroso, mas que se perde um pouco, que passa a “desempolgar” da  metade para o fim, O trem dos órfãos, que tem duas personagens interessantes, com boas histórias, mas que poderiam ter se cruzado (as histórias), o que acaba não acontecendo, o Constelação de fenômenos vitais, e o Flor Negra, que tem um pano de fundo histórico interessante, mas como literatura, deixou um pouco a desejar. Mas estas “decepções” fazem parte de nossa vida como leitores. Por vezes o problema é o momento, que não é propício para a leitura daquele livro em específico, e em outras ocasiões é a expectativa que depositamos naquele livro...
            Este ano, se eu fosse defini-lo em uma palavra, eu o faria com a palavra Grego. Isso mesmo: grego! Foi 2014 o ano da leitura dos gregos para mim, como outros anos foram o ano dos russos, o ano dos franceses, o ano dos brasileiros. Li, além das tragédias (de Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes), o Fábulas, de Esopo, e o Poética, de Aristófanes, livros que me fizeram perceber ainda mais o quão somos filhos e herdeiros dos gregos, o quanto aquela civilização lançou bases para a nossa filosofia, cultura, literatura e pensamento e o quanto continuam atuais.
            Foi, também, 2014, um ano em dediquei um especial espaço de meu tempo para as leitura de ordem técnica e acadêmica. Além dos já mencionados Schopenhauer e Aristóteles, li Bakhtin, Auerbach, Alfredo Bosi, Tânia Carvalhal e Douglas Tufano.

            O que me aguarda o ano de leitura de 2015 eu nada além do fato de se iniciar no dia 1º de janeiro, com a leitura de um grande clássico da literatura mundial, um russo, pra variar, e se encerrará em 31 de dezembro, com algum livro ou autor especial (para “fechar o ano com chave de ouro”). Mas de uma coisa eu tenho certeza: independente de quantos forem os livros, serão edificantes e eu os saborearei palavra por palavra de suas histórias, me identificarei com seus personagens e perderei noites de sono (seja dormindo mais tarde ou acordando mais cedo) de tão instigado que ficarei com as histórias.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Balanço anual de leitura - 2013


            Foi 2013 um ano muito bom de leituras. Iniciei lendo Os Cossacos, de Tolstoi (é tradição minha iniciar o ano de leitura “com o pé direito”, lendo um grande autor, um clássico da literatura universal) e o fechei com O remorso de Baltazar serapião, de Valter Hugo Mãe (tradição, também, fechar bem o ano).
            Este ano foi de muitas descobertas e algumas decepções (estas sempre acontecem), e também de outras coisas, como “minhas pazes” com Chico Buarque. Falo em “pazes” porque havia lido anteriormente o tão badalado, premiado, salve-salve Leite Derramado, e fiquei com uma impressão não muito boa do livro (talvez a impressão tenha sido não das mais favoráveis pelo excesso de entusiasmo por parte da crítica, o que me levou a ler o livro com uma expectativa muito elevada), como se o leite do livro estivesse “talhado”, estragado mesmo. Depois dessa experiência, fiquei resistente quanto a Chico, mas esse ano resolvi dar uma nova chance ao autor, e mergulhei na leitura do que talvez seja o mais elogiado livro dele, Budapeste. Gostei muito do livro, tanto que resolvi dar novas chances ao autor  e quem sabe até colocar na “minha lista de possíveis releituras” o livro Leite Derramado, agora para lê-lo de forma mais livre, sem aquele frenesi da crítica e sem preconceitos, para “desempatar a partida”, afinal de contas, estamos no 1 a 1, eu e Chico Buarque. Outro autor e livro que subiu (decolou) no meu conceito foi Stephen King. Nunca fui muito de ler livros de suspense e terror (assim como leio pouca ficção científica, poesia e livros de ensaios). Já havia, sim, lido outros livros do autor, dos quais gostei bastante, como Á espera de um milagre, e vários textos soltos, de pequenos contos, garimpados em livros diversos, mas nunca me caíra nas mãos algo de mais marcante, de maior “peso” na obra do autor, até que resolvi abrir as páginas de O Iluminado. Que livro! Estupendo! Fantabuloso! Fodástico! Nunca senti os pelos de meus braços e de minha nuca se arrepiarem tanto quanto quando estava lendo esse livro. A linguagem, a maneira como Stephen King escreve, o ritmo da leitura, o suspense, a expectativa e o medo que ele faz o leitor sentir o colocam (com toda a justiça) como o maior autor do gênero da atualidade, um dos maiores de todos os tempos, e, para a literatura como um todo, um ícone, um cânone de seu tempo. Também tive o prazer de reencontrar Khaled Housseini, que não escrevia (e publicava) um livro há anos, o que fez com que nós, seus leitores, nos sentíssemos tão órfãos de sua tão cativante forma e personagens. Li dois livros de Carlos Ruiz Záfon, um dos autores contemporâneos que eu sempre leio (só não li, ainda, dele, o mais recente, pois não tive a oportunidade de pegá-lo – afinal de contas, são tantos livros, são tantas obrigações, que nem sempre dá para se pegar para ler tudo que se gostaria nem se ler tudo).
            A leitura de clássicos da literatura mundial tem, sempre, um tempo dedicado em meu “ano de leituras”. Li Tolstoi, conheci uma outra face do “leão russo” ao estudar sua vida quando li sua biografia (livro fantástico, de uma pesquisa primorosa, diga-se de passagem – trata-se do Tolstoi a biografia, de Rosamund Bartlett), li Leskov, A fraude e outras histórias, Turgueniev, Rúdin, Puchkin, Pequenas Tragédias,e Dostoievski, Humilhados e Ofendidos, (inclusive, fiz uma promessa a mim mesmo de começar a comprar e ler toda a obra do autor). Mas nem só de autores russos se fez o meu ano de leitura. Também li Gabriel Garcia Márquez, Crônica de uma morte anunciada, Balzac, Coronel Chabert, Philip Roth , O Complexo de Portinoy, (que apesar de ser contemporâneo, eu o coloco com um “clássico”, dada a sua importância e impacto da obra na literatura mundial), Cortazar, Bestiário, (que me decepcionou bastante, diga-se de passagem) e o clássico brasileiro ficou por conta de Dom Casmurro, que eu tive o prazer de ler pela terceira vez.
            Consegui, finalmente, atingir uma “meta mínima” de leitura de autores brasileiros (leio muito mais os estrangeiros, e você, amigo “seguidor de leituras”, sabe bem disso), conhecendo Zuenir Ventura, Sagrada Família, Ana Maria Machado, com o Palavra de Honra, a premiada Adriana Lisboa com o seu livro Sinfonia em Branco, os infantis Dom Quixote das crianças, de Monteiro Lobato e Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque em parceria com Ziraldo. Li livros e autores menos badalados e conhecidos do público em geral, como Paulo Sutto, Contos para ler antes de dormir e Josué Melo, com seu excepcional Dias Miseráveis, além do interessante Maurício Lyrio, Memória da Pedra. Li também Paulo Freire, Antônio Cândido  e, óbvio, o meu grande ídolo (na música e cada vez mais consolidado na literatura) Humberto Gessinger, em seu novo livro, Seis Segundos de atenção. Mas de todos os nacionais, de todos os livros que li em 2013, o melhor, sem dúvida, foi O Arroz de Palma.
            Antes mesmo de finalizar a leitura do livro de Francisco Azevedo, O Arroz de Palma, já sabendo que tinha um tesouro da literatura, desses que a gente descobre em meio a tantas leituras, e o alcei imediatamente a um dos melhores livros de literatura nacional que já li em minha vida (de todos os livros, de todos os autores, O arroz de palma está entre os melhores), e ao ler o último ponto já havia me predisposto a dar a ele o “Oscar” de Livro do Ano.
            Livros do Ano foram vários (lembrando que nunca posto os clássicos nessa lista, pois estes constituem uma “casta” elevada, superior, própria), mas nenhum maior que O Arroz de Palma. Os dramas A Menina de Vidro, de Jodi Picoult, uma autora da qual eu tenho me tornado cada vez mais fã, e Um pedidos às estrelas, de Priscille Sibley (livro da capa feia, tosca, bem piegas – portanto, nada de julgar este livro pela capa) figuram entre os melhores lidos em 2013, assim como O Renegado, de Sadie Jones, que me impressionou pelo fator psicológico e de difícil construção, de tocante “distanciamento emocional” do personagem principal da história.
            Foram, no total, 54 livros iniciados em 2013, no entanto, 3 ficaram pelo meio do caminho por motivos diversos, para serem retomados em um outro momento, entre eles Os Pilares da terra, de Ken Follet, livro excepcional, que eu tive que devolver (tinha-o pego emprestado e lamentei profundamente quando tive que devolvê-lo, prometendo para mim mesmo retomá-lo do ponto que tinha parado).
No geral, 2013 um ano muito bom de leituras, com reencontros, pazes, promessas não cumpridas (como como sempre, a minha não leitura, por falta de coragem, de Ulysses, de James Joyce), descobertas de tesouros e, acima de tudo, muitos prazeres a que só a leitura de um grande livro pode proporcionar.
O meu 2014 de leituras se iniciará em breve, e já sei com que livro irei “abrir minhas atividades”, mas já sei que não conseguirei cumprir a minha promessa de leitura de Ulysses e não faço ideia de com que livro irei finalizá-lo (fechar com chave de ouro).


E você, amigo leitor, como foi seu ano de leitura e quais as perspectivas e expectativas para o ano que se inicia logo mais?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Balanço Anual de Leitura



Eu sou um tanto quanto “chegado a uma tradição” e me apego ferrenhamente a cada uma que instituo. No que tange às minhas leituras, sou um completo e confesso tradicionalista. Todo ano eu inicio meu “ano de leitura” lendo um grande clássico ou relendo alguma obra que me marcou de uma forma especial. Em 2012, óbvio, segui a tradição, mas confesso tê-la levado a extremos logo no primeiro mês do ano, pois iniciei o ano com a leitura do extraordinário Nova Antologia do Conto Russo e em seguida mergulhei pela segunda vez nas maravilhas e fantasiosas histórias da família Buendia, em Cem Anos de Solidão. O impacto desse inicio de ano avassalador foi tamanho lendo em seguida meu primeiro Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados, e depois O Templo do Pavilhão Dourado, mergulhando na delicada e sempre imaginativa literatura japonesa. Com um início de ano tão avassalador no que tange a leituras, lendo livros tão “carregados”, resolvi, então, nas semanas seguintes, ler algo mais ameno, por assim dizer, e peguei meio que por um acaso os livros A Chave de Sarah e O Tempo Entre Costuras, que me impressionaram enormemente, pois fui ler esses livros “com a guarda baixa”, sabendo, de antemão, pois já me haviam sido muito bem recomendados, que eram bons livros, mas não me disseram que eram tão bons.
Pois bem, movido por tão boas leituras logo de cara, nos dois primeiros meses do ano, fiquei com um pensamento na cabeça: 2012 promete! E foi um ano que prometeu e cumpriu. Foram no total 43 livros, sendo destes, 2 releituras, Cem Anos de Solidão,já citado, e Vidas Secas. E quando li este livro vi o quão pouco leio de literatura nacional e prometi para mim mesmo que iria ler mais autores brasileiros. Dito e feito: li José Lins do Rêgo (fantástico, como sempre), Ronaldo Correia de Brito, meu autor brasileiro contemporâneo favorito, meu conterrâneo Leonardo Barros, além de alguns outros (se eu for citar tudo e todos que eu li, a crônica iria ficar tão grande que ninguém iria ler!).
2012 foi um ano de leitura de muitos clássicos, e os russos, como sempre, merecem destaque. Comecei com uma coletânea de contos e li Tolstoi (óbvio!), Tchekhov e Gogol, e sempre fico, quando leio esses autores, me lamentando, pois são livros demais para serem lidos e tempo de menos. Eu costumo dizer, sempre, que quando mais a gente lê, mais descobre que não leu nada! Mas se a gente ficar se lamentando pelos livros que não vai conseguir ler, acaba, realmente, é não lendo nada...
Eu li, além dos russos, Kafka (meu primeiro Kafka, A Metamorfose), que me impressionou muitíssimo, Frankenstein, de Mary Shelley, e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, clássicos da literatura do gênero que me faltavam após ter lido, em anos anteriores, Drácula e O Médico e o Monstro, além de histórias de H.P.Lovecraft. Li também meu primeiro Eça de Queiroz e li vários autores que podem ser colocados no hall dos “clássicos modernos”: Vargas Llosa, com o A Festa do Bode, que, de cara, passou a ocupar o posto do melhor livro que já li dele, Philip Roth, com o emocionante e fortíssimo Patrimônio, para mim o melhor escritor norte-americano da atualidade, Mário Benedetti, e a que embora não seja das mais bem-vistas escritoras pela academia, talvez por ser muito popular (para não dizer Best-Seller), Isabel Allende, com o magnífico A Casa dos Espíritos. Além desses, li também o fantasioso e maravilhoso Peter Pan, em sua versão original, e o magnífico e enigmático Jorge Luis Borges.
Dos chamados Best-Sellers, esse ano senti-me numa “saia justa” para listar os melhores, pois li obras simplesmente espantosas. Talvez o que mais me impressionou, por tudo, tenha sido Os Olhos Amarelos dos Crocodilos, um dos melhores livros de literatura contemporânea que li nos últimos anos, seguido, de muito perto, segundo meus critérios de avaliação que nem eu mesmo sei definir e listar quais são, por O Pacifista, do sempre sutil e surpreendente John Boyne. Fora esses dois, que se destacam especialmente na minha lista, devo citar também, pois foram leituras igualmente marcantes, o A Casa que amei, de Tatiana de Rosnay, A Filha Secreta, O Tempo Entre Costuras (citado anteriormente) e Dez Mulheres, além do Estive lá Fora, do Ronaldo Correia de Brito.
Li romances policiais, suspenses, dramas, romances, romances históricos, contos, crônicas, enfim, 2012 foi um ano recheado de grandes leituras nos mais variados gêneros, que guardaram muitas gratas surpresas. E deste gênero, a maior surpresa foi, sem dúvida, o livro Nas entrelinhas do horizonte, do meu ídolo na música, que está se tornando, também, meu ídolo na literatura, Humberto Gessinger. Entre os contos, Patricia Highsmith me surpreendeu enormemente com A Casa das Sombras e dentre os romances históricos, Miguel Sousa Tavares, que fiquei em dúvida sobre qual o melhor, Equador ou Rio das Flores, e devo colocar nesse gênero também os livros de Tatiana de Rosnay, A Casa que Amei e A Chave de Sarah, magníficos – foram esses dois autores, junto com Borges e John Boyne, inclusive, os únicos que eu li dois livros no ano. Do Zafon, um de meus escritores contemporâneos favoritos, li seu lançamento, Prisioneiro do Céu, muito bom, sem dúvida, mas um pouco abaixo dos seus livros anteriores, mas “dou um crédito” ao autor por se tratar esse de um livro “sem início nem fim”, já que serve de “ponte” entre seus maiores romances A Sombra do vento e O Jogo do Anjo, lidos em anos anteriores. Dentre os policiais, li e fiquei vidrado do início ao fim com Harlan Coben, em Não Conte a Ninguém.
Não tive, felizmente, em 2012, nenhuma grande decepção nem muito do que reclamar dos livros que tive o prazer de ler. Talvez um livro ou outro não tenha suprido todas as expectativas, é bem verdade, mas decepção mesmo, livro que me deixou com aquela sensação de “podia ter usado meu tempo para ter lido algo melhor”, nenhum. Mas para não dizerem que eu não citei nenhum, embora sabendo de antemão que irão “pedir minha cabeça” por isso, posso dizer que esperava algo diferente de Caio Fernando Abreu. Muito bem escrito, com uma técnica espantosa, sem dúvida, chocante mesmo em muitas histórias e personagens, mas sua leitura não me pegou como eu esperava, talvez por conta do mundo que ele retrata, repleto de muito liberalismo sexual, drogas e loucuras.
Enfim, 2012 foi um ano espantoso no que tange as leituras, e espero que 2013 seja igualmente magnífico, com grandes descobertas e surpresas escondidas nas entrelinhas de cada livro lido, de cada história, de cada trama, de cada personagem.