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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Voltar a ser menino

Eu queria voltar a ser menino, nem que fosse por cinco minutos em minha vida. Queria simplesmente ser menino, esquecer das coisas facilmente como só os meninos esquecem e manter vivas, na memória, outras. Queria não ter preocupação alguma, responsabilidade com nada, viver só e unicamente para mim, para aquele momento, e só. Queria poder ver a chuva caindo lá fora e não a temer, não me preocupar com ela; simplesmente poder abrir a porta de casa e sair, tomar um bom, revigorante e sempre rejuvenescedor banho de chuva. Eu queria voltar a ser menino para isso tudo, mas também para muito mais.
Queria poder ser livre, rir com um nada, brincar com um tudo, queria simplesmente viver. Queria ficar por uns instantes com a cabeça tão longe, pensando em algo que está tão perto. Queria poder me sentir como um pássaro no alto de uma árvore, colher uma fruta madura direto do pé e sentir o seu sabor doce como a vida. Queria poder brincar com um cachorro, correr atrás dele, depois deixar que ele me perseguisse numa corrida louca e desenfreada pela rua. Queria poder soltar pipa, jogar biloca (também conhecida como “bolinha de gude”), chupar confeito, mascar chiclete e me deliciar com outras tantas guloseimas. Queria poder ficar descalço, jogar futebol na rua, arrebentar-me inteiro numa queda de bicicleta e, quando ouvir minha mãe chamar, gritar um “já vou”.
            Eu queria voltar a ser menino simplesmente para brincar, para correr, para esconder-me e para achar-me, para ser o que eu era, para ser o que sempre fui e que nunca deixarei de ser – simplesmente menino.
            Eu queria voltar a ser menino para brincar na rua, para ter de volta, nem que fosse por um curto instante, medo do escuro à noite, medo dos trovões em noite de tempestade. Queria poder acordar de madrugada nessas noites escuras, frias e chuvosas e ir bater à porta do quarto de meus pais e pedir para dormir naquela cama enorme, entre meu pai e minha mãe, debaixo daquele cobertor, que estava sempre quentinho.
            Eu queria voltar a ser menino para, ao fechar os olhos, não pensar em nada, e ter, simplesmente, uma boa e longa noite de um sono reparador, que me deixaria pronto para o dia seguinte repleto de coisas novas, de novas, velhas e conhecidas brincadeiras.

            Eu não quero, não posso, nunca em minha vida, deixar de ser menino, porque deixar de ser menino é esquecer todos os maravilhosos momentos que vivi, que não voltarão nunca mais, que vivem eternamente em minha memória e só lá eu posso, sempre, voltar a ser o que sempre fui: um eterno menino.

domingo, 7 de outubro de 2012

Voltar a ser menino


Eu queria voltar a ser menino, nem que fosse por cinco minutos em minha vida. Queria simplesmente ser menino, esquecer das coisas facilmente como só os meninos esquecem e manter vivas, na memória, outras. Queria não ter preocupação alguma, responsabilidade com nada, viver só e unicamente para mim, para aquele momento, e só. Queria poder ver a chuva caindo lá fora e não temê-la, não me preocupar com ela; simplesmente poder abrir a porta de casa e sair, tomar um bom, revigorante e sempre rejuvenescedor banho de chuva.
            Eu queria voltar a ser menino para isso tudo, mas para muito mais. Queria poder ser livre, rir com um nada, brincar com um tudo, queria simplesmente viver. Queria ficar por uns instantes com a cabeça tão longe, pensando em algo que está tão perto. Queria poder me sentir como um pássaro no alto de uma árvore, colher uma fruta madura, direto do pé, e sentir o seu sabor doce como a vida.  Queria poder brincar com um cachorro, correr atrás dele, depois deixar que ele me perseguisse numa corrida louca e desenfreada na rua. Queria poder soltar pipa, jogar biloca (também conhecida como “bolinha de gude”), chupar confeito, mascar chiclete e me deliciar com outras tantas guloseimas. Queria poder ficar descalço, jogar futebol na rua, me arrebentar inteiro numa queda de bicicleta e, quando ouvir minha mãe chamar, gritar um “já vou”.
            Eu queria voltar a ser menino simplesmente para brincar, para correr, para me esconder e para me achar, para ser o que eu era, para ser o que sempre fui e que nunca deixarei de ser – ser simplesmente menino.
            Eu queria voltar a ser menino para brincar na rua, para ter de volta, nem que seja por um curto instante, medo do escuro à noite, medo dos trovões em noite de tempestade. Queria poder acordar de madrugada, nessas noites escuras, frias e chuvosas, e ir bater à porta do quarto de meus pais, e pedir para dormir naquela cama enorme, entre meu pai e minha mãe, debaixo daquele cobertor que está sempre quentinho.
            Eu queria voltar a ser menino para, ao fechar os olhos, não pensar em nada, e ter simplesmente uma boa e longa noite de um sono reparador, que me deixaria pronto para o dia seguinte repleto de coisas novas, de novas, velhas e conhecidas brincadeiras.
            Eu não quero, não posso, nunca em minha vida, deixar de ser menino, porque deixar de ser menino e esquecer todos os maravilhosos momentos que tive em minha vida, que não voltarão nunca mais, que vivem, vívidos, eternamente em minha memória, e só lá eu posso, sempre, voltar a ser o que sempre fui: um eterno menino.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Voltar a ser menino...

Eu queria voltar a ser menino, nem que fosse por cinco minutos em minha vida. Queria simplesmente ser menino, esquecer das coisas facilmente como só os meninos esquecem e manter vivas, na memória, outras. Queria não ter preocupação alguma, responsabilidade com nada, viver só e unicamente para mim, para aquele momento, e só. Queria poder ver a chuva caindo lá fora e não temê-la, não me preocupar com ela; simplesmente poder abrir a porta de casa e sair, tomar um bom, revigorante e sempre rejuvenescedor banho de chuva.
            Eu queria voltar a ser menino para isso tudo, mas para muito mais. Queria poder ser livre, rir com um nada, brincar com um tudo, queria simplesmente viver. Queria ficar por uns instantes com a cabeça tão longe, pensando em algo que está tão perto. Queria poder me sentir como um pássaro no alto de uma árvore, colher uma fruta madura, direto do pé, e sentir o seu sabor doce como a vida.  Queria poder brincar com um cachorro, correr atrás dele, depois deixar que ele me perseguisse numa corrida louca e desenfreada na rua. Queria poder soltar pipa, jogar biloca (também conhecida como “bolinha de gude”), chupar confeito, mascar chiclete e me deliciar com outras tantas guloseimas. Queria poder ficar descalço, jogar futebol na rua, me arrebentar inteiro numa queda de bicicleta e, quando ouvir minha mãe chamar, gritar um “já vou”.
            Eu queria voltar a ser menino simplesmente para brincar, para correr, para me esconder e para me achar, para ser o que eu era, para ser o que sempre fui e que nunca deixarei de ser – ser simplesmente menino.
            Eu queria voltar a ser menino para brincar na rua, para ter de volta, nem que seja por um curto instante, medo do escuro à noite, medo dos trovões em noite de tempestade. Queria poder acordar de madrugada, nessas noites escuras, frias e chuvosas, e ir bater à porta do quarto de meus pais, e pedir para dormir naquela cama enorme, entre meu pai e minha mãe, debaixo daquele cobertor que está sempre quentinho.
            Eu queria voltar a ser menino para, ao fechar os olhos, não pensar em nada, e ter simplesmente uma boa e longa noite de um sono reparador, que me deixaria pronto para o dia seguinte repleto de coisas novas, de novas, velhas e conhecidas brincadeiras.
            Eu não quero, não posso, nunca em minha vida, deixar de ser menino, porque deixar de ser menino e esquecer todos os maravilhosos momentos que tive em minha vida, que não voltarão nunca mais, que vivem, vívidos, eternamente em minha memória, e só lá eu posso, sempre, voltar a ser o que sempre fui: um eterno menino.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu tive infância

Eu tive infância, tanto que me pego constantemente me lembrando dessa maravilhosa fase de minha vida. Nunca me canso de lembrá-la, de me pegar devaneando, desejoso de poder voltar no tempo, nem que fosse por apenas cinco minutos, para reviver a época mais doce de minha vida.
            Época de férias escolares, antes do início do ano letivo, era como o “auge do ano”, como se fosse o momento mais importante para ser vivido, já que quando as aulas começassem, o tempo para as brincadeiras ficava mais restrito e não se tinha tempo para nada, além de estudar, estudar e estudar, para  não se correr o risco de ficar em recuperação ou mesmo de se ser reprovado. O auge do verão, em pleno mês de janeiro, significava o auge das brincadeiras. Era quando organizávamos os campeonatos de futebol, em que praticamente cada rua tinha seu time, composto por cinco jogadores e um goleiro. Reserva? Isso não existia, pois todos faziam questão de jogar todos os jogos, do início ao fim, sonhando ser ele o responsável pelo gol que daria um simbólico título de campeonato de verão daquele ano. Mas se por um acaso chegasse algum primo distante, um amigo bom de bola, dávamos um jeito de colocá-lo no time e sacrificar aquele menino pereba, normalmente o mais novo, que só jogava por que era o dono da bola, ou por que precisávamos dele para completar o time. Tudo bem, ele sempre ameaçava levar a bola pra casa e acabar com o campeonato, mas sempre se dava um jeito de convencê-lo com a condição de deixá-lo entrar no início do segundo tempo.
            As brincadeiras daquela época eram inocentes. Até mesmo as mais “maliciosas” eram inocentes, bem diferentes das que vejo as crianças (tanto as de meninos quanto  as de meninas), em que há um certo “quê” de malícia até nas que parecem as mais inocentes. Mas isso deve, ou ser fruto de minha imaginação ou fazer parte do processo natural de “evolução dos tempos”. Enfim, vamos em frente.
            À noite, quando não se podia jogar bola, já que não havia iluminação no campo, adorávamos brincar de esconde-esconde, tica, polícia e ladrão, e no caso desta brincadeira havia sempre confusão, pelo simples fato de ninguém querer ser polícia, pois toda a graça tinha em se correr muito e fugir, sendo o ladrão da brincadeira. Mas também havia outros tipos de brincadeiras, os jogos de tabuleiro eram muito bem quistos, alguns do grupo brincavam de resta um ou de pega vareta. Havia, lógico, um ou outro, mais velho no grupo, que podia se aproximar dos mais velhos e participar de uma partida de aliado ou de dominó, quem sabe até fazer dupla numa partida de totó ou mesmo ser chamado para jogar sinuca, mas mesmo este, via-se claramente, não se divertia tanto quanto nós.
            Naquela época praticamente não havia shopping e nem todo o apelo comercial que se há hoje em dia (pelo menos, se havia, não prestávamos atenção nisso). O shopping, pelo menos o único que havia na época, não despertava o nosso interesse e preferíamos, lógico, ficar brincando com os amigos na rua a ir “passear” no shopping (coisa mais sem graça das férias de verão). Hoje em dia, toda criança quer viver dentro de um shopping sem graça e acha que isso é diversão... elas não sabem o que é ser criança, não sabem o que é se divertir pra valer!
            Internet, óbvio, não existia, e o brinquedo que representava o maior avanço tecnológico de que dispúnhamos era um vídeo-game, um Atari ou, quando muito, um Master Sistem. Mas mesmo estes eram inofensivos e não brincávamos muito, somente o necessário para zerar esse ou aquele jogo. Logo abusávamos e íamos procurar algo mais interessante para brincar. Vídeo-Game não viciava e não nos deixava dependentes, e estes são grandes perigos que eu vejo as crianças de hoje passando.
            Televisão até tinha, mas dávamos tão pouca atenção a ela que nem vale a pena se falar dela nessa crônica.
            Brinquedos havia às centenas. Tudo bem que não eram tão bonitos, coloridos, tão articulados e fizessem tanta coisa quanto os de hoje em dia, mas o que realmente importava, na minha época, era a imaginação. Tendo imaginação, gostando e querendo simplesmente de brincar, a diversão estava garantida.
            Brincava-se de biloca e pião, fazia-se bolinha de sabão e havia brincadeira só de menino e só de menina, e raramente nos misturávamos. Soltava-se pipa e a víamos lá no alto, tão longe, voando como a nossa imaginação naquele sublime momento.
            Mas talvez a melhor hora do dia, a tão esperada, era quando chovia. Tudo bem que era verão, que o calor era de rachar, e talvez por isso mesmo vibrávamos quando se avistava uma nuvem no céu, nem que fosse uma nuvenzinha pequena, que podia pressagiar uma chuva, que por mais fina que fosse, ajudava a refrescar o dia e lavava a nossa alma.
            Eu lembro cada uma dessas brincadeiras e tenho uma imensa saudade desses tempos. Às vezes tenho vontade de deixar de ser, por cinco minutos, o adulto que sou e deixar renascer o menino que sempre fui. Mas sei que isso, hoje, é impossível. O que me resta fazer é relembrar, se ser feliz por tudo que se viver, e bater no peito, com orgulho, e dizer aos quatro cantos do mundo que eu, sim, tive infância.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Salve as crianças dessa infância

Eu, definitivamente, sou de uma outra época. Lembro que, quando criança, costumava brincar na rua daquelas brincadeiras inocentes de que toda criança deveria brincar. Acredito até que aquelas eram as melhores brincadeiras de que uma criança pode participar. Brinquedos existiam, lógico, mas não eram essa parafernália eletrônica, esses verdadeiros milagres tecnológicos que se tem hoje em dia. O máximo de tecnologia que se empregava nos brinquedos do meu tempo era nos bonecos, bonecas, carros e outros brinquedos que vez por outro um dos meninos ou meninas de minha rua ganhava, depois de muito pedir aos pais por ter visto um comercial na televisão.
            Falando em rua, naquela época se brincava de verdade na rua, se tinha vizinhos, se ficava até tarde da noite brincando, apesar dos inúmeros chamados de nossas mães, que a cada cinco minutos abria o portão de casa e gritava “Menino, venha já pra casa”, a que sempre a resposta era “Só mais cinco minutos, mãe”, e ela sempre deixava, e esses cinco minutos eram eternos. Só entrávamos em casa quando quem vinha chamar era nosso pai, e ai sim as coisas mudavam de foco. Ele só fazia chamar uma vez, e o atendíamos prontamente.
            Sinto falta dos banhos de chuva e até mesmo das gripes e resfriados que pegávamos, que nos deixava acamados por alguns dias, impossibilitados de ir a escola, recebendo todos os carinhos e mimos de nossas mães.
            Sinto falta do futebol no campinho de terra batida, daquela bola dura e seca que chutávamos, da areia que ficava grudada em nossos pés e por vezes até ficava por dias e dias embaixo de nossas unhas, dos uniformes, que consistiam em “time com camisa” e “time sem camisa”. Sinto falta até das reclamações, por não ter escolhido esse ou aquele menino para nosso time e mesmo das reclamações quando um tinha que ser substituído, não por que não estivesse bem na partida, mas simplesmente por que o que estava fora nos perturbava tanto para entrar que tínhamos que sacrificar alguém para dar lugar àquele.
            Sinto falta dos álbuns de figurinha que nunca conseguíamos completar e das brincadeiras de “bafo”, em que um sempre acabava ganhando as melhores e mais raras figurinhas enquanto um outro acabava sem nenhuma.
            Sinto falta dos doces que se tinha na época, mas mais ainda das árvores que subíamos para tirar as frutas, e as saboreávamos ali mesmo, entre os galhos, a alguns metros do chão.
            Sinto falta até das eternas brigas quando se chegava imundo em casa depois de uma partida de futebol, quando nossas mães reclamavam e perguntavam como iriam fazer para tirar toda a sujeira daquela roupa.
            Sinto falta das brincadeiras no parque e, principalmente, dos circos, que, vez por outra, voltavam ao bairro. Nossa, que circo eram aqueles?! Aquilo sim é que é circo, com palhaço, luzes, cores e luzes.
Sinto uma grande falta dessa época e ouso dizer que até uma certa pena dessa nova geração que está aí, a geração internet, em que as crianças não sabem mais o que é brincar, não sabem mais o que é rua e nem sequer têm vizinhos. Isso mesmo: não têm vizinhos. Hoje em dia, o vizinho mais próximo que se tem é alguma outra criança que se conheceu através da internet, que mora a centenas de quilômetros! Essas crianças não sabem mais o que é brincar junto, o que é um jogo de tabuleiro, o que é brincar na rua. Rua? O que é isso? Ah, rua é onde os carros passam, não é? E se pode brincar na rua? Pensei que rua fosse só para os carros! Entristeço-me ao ver no que se resume ser criança hoje em dia.
Tecnologia e internet representam um grande avanço, sim, mas nada pode tornar uma criança refém dentro da própria casa; a infância, que passa tão depressa, não pode se resumir a isso.
Criança tem é que brincar, se sujar, descobrir; criança tem que ser criança. Pais, mães, tios, tias, padrinhos, vocês que tiveram, como eu, uma infância que deixou saudade, que, vez por outra, você se vê pensando nela, relembrando os bons momentos e as brincadeiras, resgate isso, tire as crianças que se mantém reféns em casa e dê a elas uma infância de verdade, um algo, nem que seja por um curto momento de que elas vão se lembrar pelo resto da vida.