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domingo, 29 de dezembro de 2013

O que é família?

Muito se fala em família, mas o que realmente representa e constitui essa célula e teia tão essencial à nossa vida?
            O dicionário Aurélio, que de tão antigo ganhou o apelido de “Aurelião” e já é quase membro da família, define Família como: 1 - pessoas aparentadas que vivem, geralmente, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos. 2 - pessoas do mesmo sangue. 3 - origem, ascendência. Outros dicionários, não tão familiares quanto o Aurélio, usam outros termos, detalham um pouco mais a “definição de família”, mas, no cerne, dizem a mesmíssima coisa, uns falando com termos mais pomposos, outros de forma mais objetiva, e o que todos eles têm em comum, na frieza de sua definição, está no fato de que palavra alguma, por mais precisa e milimetricamente calculada que seja, seria capaz de definir em toda a sua amplidão e força o verdadeiro significado de Família.
            Família não se define, se sente e se é. A família nasce, sim, daquele simples casal, apenas um homem e uma mulher, que dão origem a filhos, e destes vêm os netos, e daqui a pouco de apenas uma meia dúzia, aparecem outros que se agregam, surgem os primos, os maridos e esposas daqueles primeiros filhos, que embora não do mesmo sangue, passam a sê-lo, passam a se incorporar, a fazer parte, a sentir, a ser membro / parte integrante daquela célula primordial e a ser mais uma das pessoas tão essenciais na construção dessa gigantesca e infindável teia familiar.
            Família tem a ver com parentesco e laços de sangue, sim, mas os laços que unem as pessoas de uma mesma família são mais fortes e mais complexos do que o simples fato de compartilhar de um mesmo sangue, de ter uma mesma herança genética, de possuir um mesmo tipo de cromossomo. Família é mais do que sangue, e tal qual a “substância vermelha”, corre, também, em nossas veias, gravado no fundo do coração, na alma, nas mais doces e maravilhosas memórias que temos.
            Há pessoas que nem sempre nascem no mesmo seio familiar, mas que ao entrarem nele são abraçadas e aconchegadas a ele como se o fizessem desde sempre.
            Na família nem sempre uns moram perto dos outros, nem sempre estão juntos o tempo todo como gostariam, mas distância espacial e a questão do tempo são irrelevantes quando algo maior os aproxima, quando se tem lembranças de sobra, dos tão marcantes momentos passados juntos.
            Família consta no dicionário, sim, como um verbete que tem uma definição (vaga e imprecisa), mas não tradução, pois palavras frias não são capazes de transmitir o calor que existe por trás dessas sete pequenas e frágeis letras, que, quando juntas, se tornam algo gigante e tão forte que nada nesse mundo pode quebrar.

            Talvez, no entanto, o que melhor definiria Família, seriam palavra como tudo, amizade, lembranças mais doces, mãos dadas,almoço de domingo, férias juntos,  reunião, união, festa, sorriso, compreensão, respeito, amor, entre tantas outras palavras, que embora também sejam só isso para uns, palavras, para aqueles que entendem e sentem o verdadeiro significado de família sabem que família é tudo isso e muito mais, muito mais do que qualquer que seja a palavra possa definir e traduzir.

sábado, 12 de outubro de 2013

Lugar de família é na cozinha



Sempre que se fala em família, a primeira imagem / lugar que me vem à mente é uma cozinha. É na cozinha que acontece se não as mais pomposas reuniões, pelo menos é onde ocorrem as mais espontâneas e divertidas, onde se preparam todos aqueles pratos deliciosos feitos para as mais diversas ocasiões: seja para um aniversário de um primo, prima ou tia, seja para a ceia de natal ou outra ocasião deveras importância, mas o que importa, para a família, não é a ocasião em si (o aniversário ou data comemorativa é apenas um pretexto, uma “desculpa” para se reunir todo mundo).
            A cozinha é um ambiente amplamente dominado pelas matriarcas da família, onde é praticamente vedada senão a participação, pelo menos a permanência por muito tempo, dos patriarcas da família. Mas lá é permitida a entrada (e permanência) de todos os primos, que entram com uma desculpa qualquer, de beber água, de pegar algo para comer, e acabam ficando como quem não quer nada, rindo e participando mesmo de alguma anedota, ouvindo algum causo acontecido em tempos áureos contado por alguma das normalmente mais bem-humoradas matriarcas.
            Na cozinha reina a descontração, os risos, as vozes altas de todo mundo falando ao mesmo tempo, e só há silêncio quando de repente surge entrando pela porta aquela matriarca mais séria, normalmente a irmã mais velha, e todos os presentes param o que estão fazendo, param de falar suas histórias mais “despudoradas” em respeito a ela. E ela ama esse respeito que lhe devotam, no entanto ama mais ainda a alegria reinante de sua família, e justamente por isso é ela quem quebra o silêncio e abre seu baú de histórias ao contar uma história acontecida há tantos anos...
            A cozinha além do local de espontaneidade, de tantos barulhos e risos, é o saboroso lugar dos cheiros deliciosos, onde são preparados todos aqueles manjares dos deuses, onde as matriarcas com mãos de anjo dão forma aos doces, onde manejam habilmente colheres-de-pau e dão o exato ponto aos pratos que serão servidos logo mais, à noite, mas que àquela hora, no instante do preparo, todos os presentes são convidados a “participar do preparo” ao darem pitaco, dizendo se está bom de sal, se ficou muito doce, se a consistência está boa, etc, etc e etc. mas o felizardo mesmo é aquele que prova e diz “está perfeito”, e ganha em agradecimento um enorme sorriso da hábil cozinheira e como prêmio (mais tarde) todas as atenções na ceia e um pedaço mais que generoso da mais saborosa das sobremesas.
            Família é família, seja lá em que lugar da casa for, em que ocasião for,  mas que família reunida na cozinha é mais família, é mais saborosa, é mais cheirosa, é mais espontânea, enfim, que família é mais família na cozinha, isso é inegável.