Esse é o trecho inicial de meu novo livro, romance, que iniciei hoje. Na verdade, estou disponibilizando o prólogo do livro. Em breve, a medida em que for avançando na história, disponibilizarei capítulos inteiros ou partes deles.
Espero que gostem:
"Ele
tinha diante de si uma folha de papel em branco e com sua mão direita, segurava
uma caneta, mas não sabia o que escrever. Já estava naquela posição há horas,
brigando com as palavras.
Todas
as luzes da casa estavam apagadas naquela madrugada fria e escura. A única luz
que vinha era de fora, da lua, que iluminava aquele pequeno canto da sala, ao
lado da janela, onde o homem estava sentado. Já havia se levantado vezes sem
conta e tornado a se sentar, cada vez num canto diferente, à mesa. Mas nada que
fizesse diminuiria aquela angustia que sentia.
Angustiado,
levantou-se mais uma vez e começou a caminhar de um lado a outro pela sala,
tendo cuidado para pisar muito de leve no chão. Segurava numa mão a folha de
papel, ainda em branco, e na outra, a caneta. Caminhou até o quarto, onde a
porta estava aberta. Ficou longos segundos a observar a mulher deitada, que sorria
enquanto dormia, por certo acarinhada por um doce sonho. Queria saber com o que
estava sonhando e desejava acordá-la para dar um último beijo, mas não podia
fazer aquilo. Sentou-se na cama para olhá-la de perto uma última vez. Ela se
mexeu e puxou o cobertor. Ele então a cobriu e fez um leve carinho em seu
rosto. Quando se levantou, uma única lágrima escapou de seu olho e escorreu
pelo seu rosto.
Saiu
do quarto e fechou a porta. Olhou mais uma vez o papel e caneta. Resolveu não
escrever nada. Julgava que assim seria melhor, para ele e para ela. Colocou a
folha sobre a mesa e a caneta ao lado. Olhou mais uma vez para aquela casa e
fechou os olhos com força, como que para reter todos os momentos felizes que
vivera para sempre em suas lembranças.
Abriu
a porta da casa e saiu. Não levava nenhuma mala consigo, a única coisa que
levava eram suas lembranças."
Escrever é coisa séria.
Aliás, é algo muito sério. Tem gente
que se deixa levar por aquela lei, regra, verdade universal, que diz que o ser
humano só é completo quanto planta uma árvore, tem um filho e escreve um livro.
Você já deve ter ouvido essa verdade universal. Pois bem, essa verdade é uma
completa e deslavada mentira!
Jogar
uma semente no chão não é plantar uma árvore. Se você não regá-la, de nada
adianta ter jogado a semente. E também não adiantar plantar uma árvore,
regá-la, vê-la crescer já tendo segundas intenções, com a esperança de que ela
cresça logo para cortá-la e usar sua madeira para fazer fogueira na época do
São João.
Filho?
Nossa, isso é muito sério. Se não se tem vocação para a paternidade, é melhor
fazer vasectomia antes que seja tarde e não se possa mais voltar atrás. Filho é
pra vida toda, e exige atenção, carinho, dedicação, paciência...
E
sobre livro, o que se pode falar? O livro, para os amantes de literatura, é
como um filho. O escritor idealiza um futuro para seu livro, cria seus
personagens com o mesmo carinho com que cuidaria de um filho, deixa-os viver
tal como desejam, mas procura estar sempre presente, para que não se desviem e
cometam falhas ao longo da história. E na hora do lançamento, então. O
lançamento do primeiro livro é como o nascimento do primeiro filho. O escritor
sofre, não consegue se alimentar, fica ansioso, nervoso, suas pernas tremem,
sente uma opressão no peito, falta de ar, e toda essa angústia só tem fim quando
o pai (autor do livro em questão) escuta o choro de seu primogênito quando a
caneta toca sua superfície nas primeiras dedicatórias e autógrafos na tão
aguardada noite de lançamento (digo, nascimento).
Lançar
um livro é algo muito sério. O escritor se prepara por anos a fio, passa noites
em claro criando a história, em busca da melhor palavra e até mesmo do instante
exato onde colocar um ponto e terminar uma frase. O escritor é um sonhador,
acima de tudo. Mantém os pés no chão, sim, mas tem por vezes a cabeça nas
nuvens, nos sonhos de suas histórias, e o que mantém seus pés e sua cabeça
unidos é a sua mão, a traçar palavras tantas vezes imprecisas em folhas em
branco, que logo vão tomando cores e formas a medida que sua caneta se arrasta,
corta e pinta aquela história.
Um
escritor, no entanto, apesar de tantas noites em claro, de tantos sonhos
sonhados para seu livro, nunca é dono deste, pois, a partir do momento em que o
publica, a obra deixa de ser sua e passa a pertencer ao leitor. É este quem
passa a dar vida ao personagem, quem passa a viver sua história.
Por
tudo que o livro representa, para o escritor e para o leitor, devemos
respeitá-los.
Muitos
têm sonhos de ser escritores, mas são poucos, pouquíssimos na verdade, que
realizam este sonho. Não que ser
escritor seja algo inalcançável, que necessidade de um dom ou talento especial.
Isso, se existir, tal como as pessoas definem, não basta, pois, acima de tudo,
para se ser escritor é preciso se ter
algo especial, chamado amor aos livros.
O escritor é, além de sonhador, um amante de livros, de fantasias, de
histórias, da literatura e de livros.
Não
existe escritor sem sua paixão por livros, pois todo escritor é um apaixonado
inveterado e incorrigível. Os livros estão na sua vida da mesma forma que o ar
que respira. Povoam seus pensamentos e surgem em seus sonhos, quando sonha
dormindo e quando sonha acordado. O escritor não tem só sangue correndo em suas
veias, te, sim, palavras e frases, que percorrem todo o seu corpo, que estão em
cada poro. O escritor sua livros, sua histórias, sua literatura.
O
verdadeiro escritor, apaixonado, vive pela e para a literatura.
Muitas
vezes se decepciona, por vezes até abaixa a cabeça, ante as imensas e
aparentemente intransponíveis dificuldades que se lhe apresentam. Pessoas
criticam, barreiras vão lhe ser impostas, sim, mas também muitos são os que o
apóiam, que acreditam nos seus sonhos, que sonham junto, e é nestas pessoas que
o escritor deve se apoiar, em quem deve acreditar.
Críticas
vão vir, sim, assim como elogios sinceros por parte dos leitores, e cabe ao
escritor, consciente, sensato, saber ouvir as duas palavras da mesma maneira,
com o mesmo peso e aceitá-las, aprender com elas, para crescer e se
aperfeiçoar, sempre.
O
caminho do escritor é sempre árduo, pois ele nunca está satisfeito. Tem sempre
a sensação de que pode e deve melhorar, que ainda tem muito a fazer para chegar
à frase perfeita, para se criar um
personagem tão vivo que ele, escritor, possa senti-lo, tocá-lo, vivê-lo.
Não
é o escritor uma pessoa especial, um iluminado,
um ser que possui um dom, mas sim uma
pessoa que tem uma imensa paixão dentro do peito, que vive um sonho e sonha uma
vida.
Paixão
que não mata, mas que sim o faz viver, que o faz sonhar com uma imortalidade em
seus personagens, em suas histórias, em seus livros.
Lançado em 7 de abril de 2009,
meu primeiro livro, Uma História em Cinco
Vozes, logo alcançou a lista dos livros mais vendidos nas livrarias do
Estado, tanto que apenas seis meses após a primeira impressão, tive que
providenciar uma segunda, o que totalizou, menos de um ano após o lançamento,
500 exemplares vendidos, não só nas livrarias, mas também através de diversos
meios, com encomendas de diversos leitores que tomaram conhecimento do livro
através de blogs, Orkut e Skoob, este principalmente, por tratar-se de um site
de relacionamento específico de livros.
Hoje, praticamente um ano e meio
após o lançamento desse livro, tenho um imenso orgulho de anunciar não só uma
nova impressão do livro, mas sim uma segunda edição, com o projeto gráfico
inteiramente modificado, com nova capa, diagramação, tudo idealizado e desenvolvido
por Andreza Furtado.
A segunda edição de Uma História em Cinco Vozes está com o
lançamento previsto para o próximo mês, setembro, mas venho divulgar,
especialmente para meus queridos amigos, que acompanham este blog, a capa do
livro.
O livro se encontrará a venda nas
duas livrarias Siciliano de Natal (Midway Mall e Natal Shopping) e na de
Mossoró, além de poder ser adquirido diretamente comigo. Basta escrever para limaneto1807@hotmail.com e fazer a
reserva do seu exemplar.
Eu sou preguiçoso. Pronto, falei.
Na verdade, confesso agora, publicamente, a minha preguiça. Não estou dizendo
que estou numa fase preguiçosa, que ando com muita preguiça ultimamente. Não. Eu
sou preguiçoso mesmo, e desde sempre.
Tentando
descobrir as origens desse pecado capital que me acomete, formulei várias
teorias. Acho que a minha preguiça se deve ao fato de eu ter nascido antes da
data marcada, e para compensar essa minha pressa, em momento tão importante,
desenvolvi uma preguiça desde pequeno.
Lembro
quando, desde pequeno, à noite, eu fingia dormir de frente à televisão só
porque estava com preguiça de andar até meu quarto, me deitar na cama, puxar o
cobertor e dormir. Eu, esperto (e preguiçoso) que era, fechava os olhos e
esperava que alguém (normalmente meu pai) vinha me pegar no braço e me levar
para a cama. Depois que ele me cobria, antes de sair do quarto, eu abria os
olhos e pedia para ele apagar a luz, afinal de contas, não adiantava de nada se
eu tivesse que me levantar para ir apagar a luz para poder dormir.
Na
escola, era uma dificuldade maior do mundo para eu me levantar logo cedo. Até hoje
me pergunto o porquê de eu sempre querer estudar pela manhã, já que tinha tanto
dificuldade para me levantar. Acho que era para ter mais tempo para fazer nada
o resto do dia, ao chegar da escola, só pode!
Nunca
fui aluno difícil, não. Pelo contrário. Não era dos alunos que mais se
destacavam, mas também não era dos piores alunos da sala. Ficava, vez por
outra, de recuperação, mas sempre passava. Passava muitas vezes me arrastando,
só para ser algo bem eu, para ficar
de acordo com a minha preguiça, mas passava, e isso era sempre o que importava
no final das contas.
Sempre
ganhava presentes no final do ano, e a minha escolha recaia no Vídeo Game,
afinal de contas, jogar Vídeo Game não cansa tanto, e a gente pode jogar
sentado no sofá ou mesmo deitado. Jogar futebol no campinho em frente a minha
casa? Pra quê, se se tem jogos de futebol para Vídeo Game e estes nem cansam
tanto?!
Na
adolescência surgiram dificuldades, pois como eu poderia arranjar uma namorada
se não podia, com minha preguiça, sair de casa? Só se na casa da namorada
tivesse uma rede bem grande e confortável armada na varanda, me esperando, para
quando eu fosse visitá-la. E como nunca encontrei essa namorada-alma-gêmea na
adolescência, acabei ficando só!
Quando
fui escolher a faculdade, mais dificuldades. Pensei em escolher algo na área
biomédica, para me tornar um especialista em neurologia ou coisa que o valha,
para estudar os benéficos efeitos de uma noite bem dormida. Mas acabei mudando
de ideia, afinal de contas, estudar o sono deve dar mais preguiça ainda. Escolhi
fazer o curso de história. Gostei, sem dúvida, foi muito bom estudar história,
mas não resolvi seguir a profissão. Estudar civilizações antigas dava a maior
preguiça, principalmente os faraós, que eram mumificados e ficavam na mesma
posição, deitados, durante séculos, esperando a “ressurreição”. Ficava imaginando
como era entediante esperar durante tanto tempo, sofrendo com a preguiça que
corroia todo o corpo, por um dia que nunca chegava. Desisti. Ser professor, não
dava. Ficar em pé, falando, o dia inteiro, definitivamente, não era comigo.
Por
essas e outras é que acabei aqui, como estou hoje: escritor e “blogueiro”. Essas
atividades não cansam tanto quanto outras, e como blogueiro, vocês já devem ter
percebido, eu só atualizo o blog uma vez por semana, por conta da preguiça de
ter que ficar sentado de frente ao computador para escrever mais vezes durante
a semana. Se pelo menos tivesse um Laptop para poder escrever meus textos na
cama ou na rede, eu até atualizaria o blog com maior frequencia, mas como não
tenho, fico só em um texto por semana mesmo.
E já chega de escrever por hoje. Já escrevi
meu texto da semana e agora vou descansar durante mais uma semana e pensar no que
posso vir a escrever no texto da semana que vem, isso se a preguiça permitir.
George Pelecanos é considerado,
pela crítica e público, como um dos maiores romancistas policiais da
atualidade. Seus livros foram traduzidos para vários idiomas e publicados nos
quatro cantos do mundo e se tornaram verdadeiros clássicos dentro do gênero policial. No entanto, seu em mais novo
livro, Sem Saída, recém-publicado no
Brasil pela Editora Planeta, o autor referência em romances policiais, muda seu
gênero e explora um drama social, dotando o livro de uma tensão e de uma forte
carga emocional, que traga o leitor, mantendo-o preso do início ao fim da
história.
Sem Saída narra a história de um jovem
menino branco, Alex Pappas, que, no ano de 1972, estuda numa universidade e tem
o sonho de se formar e se tornar um escritor. Não quer saber de problemas e
vive boa parte da vida entre a universidade e a lanchonete do pai, onde
trabalha. Seu pai tem o desejo que seu filho herde o negócio, mas Alex tem
outros planos.
Ainda
jovem, Alex torna-se amigos de outros rapazes brancos, que o levam para um
passeio num bairro negro do subúrbio de Washington. Alex vai sentado no banco
de trás e só percebe as intenções de seus amigos quando o carro para num sinal
vermelho, na entrada do bairro. Ele, mesmo querendo saltar do carro, resolve
ficar onde está e vê quando o amigo dirige o carro até bem próximo de onde
estão sentados alguns jovens negros. O vidro do carro é abaixado e Peter, um de
seus rapazes brancos, atira resto de comida no jovem negro que primeiro se
aproxima e profere insultos racistas. Rindo, o motorista pisa fundo no
acelerador para fugir dos negros, que, correm atrás do carro. Sem conhecer as
ruas do bairro, Billy, o motorista, acaba entrando num beco sem saída. Quando os
três ocupantes daquele carro percebem o erro que cometeram e as graves consequências
que podiam sair dali, já era tarde demais. Peter ao ver que o beco não tem
saída de um lado e o outro está fechado pelos negros que ofenderam, abre a
porta de seu lado e é o primeiro a saltar do carro e fugir. Alex, no banco de
trás, está apavorado, mas não foge para não deixar o seu amigo Billy sozinho. Billy
desce do carro e vai em direção aos negros, pedindo desculpas, tentando
resolver a situação, mas antes de poder argumentar qualquer coisa, recebe um
soco no rosto. Caído no chão, grita para que Alex fugisse, mas apavorado, o
rapaz não tem tempo de correr. Ao abaixar o banco do carro, colocar o pé para
fora e dar o primeiro passo, é alcançado e jogado no chão. Recebe golpes no
rosto, mas antes de perder a consciência escuta o barulho de discussões e de um
tiro.
Após
aquela fatídica noite, que resultou na morte de um dos rapazes brancos e na
prisão de dois negros, o caminho de cada um daqueles jovens toma um rumo
diferente, mas o que nenhum deles espera é que tanto tempo depois, mais de
trinta anos depois, eles pudessem se reencontrar. A vida de cada um tomou um
rumo diferente do que poderia ter sido se não tivesse acontecido aquele
incidente. Sonhos foram esquecidos e vidas tiveram que ser refeitas.
Vingança
e ódio passam a conviver lado a lado com o desejo de esquecimento no reencontro
entre os envolvidos.
Livro
intenso e cheio de tensão, Sem Saída
retrata um drama num ritmo de leitura digno do melhor romance policial.