quarta-feira, 12 de agosto de 2009

lançamento do livro "Crônicas Sensoriais"


Aconteceu na noite da última terça-feira, 11 de Agosto, na Livraria Siciliano do Midway Mall, o lançamento do livro "Crônicas Sensoriais", do escritor, cronista, contista e poeta potiguar, Francisco Alves Martins Neto.
Na ocasião, além de parentes e amigos, estiveram presentes diversos escritores e admiradores da obra do autor, admiração esta não apenas pela sua vasta obra, mas também pelos diversos projetos que Francisco Alves Martins Neto desenvolve e se dedica.
Francisco Alves Martins Neto, além de escritor de sensibilidade rara, é um ser humano notável, e tem se engajado em diversos projetos socio-culturais, entre eles o "Momento do Livro nas Escolas", no qual faz visitações à escolas levando cultura e literatura aos alunos. Nas visitações, Francisco Martins apresenta seu personagem "Mané Berradeiro" e faz apresentações de autores e livros da literatura mundial, nacional e regional.
O livro "Crônicas Sensoriais", terceiro publicado do autor (escreveu "Contos da Nossa Terra", em 2004, e "Degustando Poesia", em 2006), trata-se de um livro de crônicas e lembranças de rara sensibilidade, sutis e delicadas, nas quais o autor nos convida a cenários de sua infância (principalmente), vivida em sua maior parte no interior da cidade de Ceará Mirim, na Fazenda Santa Maria. Fala com doçura de seus familiares, de sua infância, de seus amigos e de causos que vivenciou.

domingo, 9 de agosto de 2009

A Recompensa - dia dos pais

Após uma longa e estafante semana, o homem não via a hora de poder sair do trabalho e ir para casa e aproveitar seu final de semana. Era sexta-feira, e como último dia do mês, naquele dia havia trabalhado mais do que o normal. A cada cinco minutos olhava para o relógio, para ver se já estava perto de dar a hora que poderia ir embora. Mas as horas, como sempre acontece em situações como essas, pareciam se arrastar. O relógio parecia estar parado.
E eis que, finalmente, o relógio deu seis horas. Apressado, o homem jogou todos os seus pertences dentro da bolsa e saiu às pressas do escritório. Tudo que mais queria naquele momento era poder tomar um bom banho e dormir. Essa era a recompensa que ele julgava merecer após uma semana inteira de trabalho.
Mas todas as pessoas, saindo do trabalho no mesmo horário, pareciam desejar a mesma coisa, e por isso os engarrafamentos eram inevitáveis. O homem ficou mais de uma hora preso a um, e chegou a casa mais tarde do que o habitual, mais cansado e estressado do que havia saído do trabalho.
Demorou uma eternidade para o elevador chegar, a mais ainda para ele abrir as porta no seu andar, pois estava lotado e parava a cada andar para descer ou subir alguém.
Colocou a chave na fechadura, abriu a porta de seu apartamento e entrou. Viu que sua esposa o esperava sentada no sofá, tendo sua filha no colo. Ele estava tão cansado que mal olhou pra elas, apesar de sua filha, antes mesmo dele se aproximar, já dar os braços. Era um bebê lindo, de aproximadamente oito meses. Balançava tão freneticamente os braços, demonstrando toda a felicidade ao ver o pai, que o homem não pôde deixar de sorrir. Mas era um sorriso cansado.
O homem se aproximou da filha, a beijou, e tocou o alto da cabeça de sua filha, sem segura-la nos braços. Já havia dado as costas, se dirigindo para seu quarto quando ouviu uma voz às suas costas. Era uma voz que nunca tinha ouvido antes, com palavras impressivas, de quem ainda não tem segurança em falar.
- Papa – disse sua filha. Ela, que nunca tinha falado, o chamava.
O homem imediatamente se virou e olhou para a filha, que sorria e tornou a chamá-lo.
- Papa – falou novamente, sorrindo e lhe dando os braços. Até sua esposa havia se impressionado. A menina jamais havia falado uma única palavra, e eis que agora ela chamava o pai.
O homem dessa vez sorrindo se aproximou da filha e a segurou. Com isso, todo o cansado acumulado que tinha parecia ter desaparecido. Levou a filha para o quarto para brincar com ela, esquecendo-se completamente do cansaço que sentia há cinco minutos e de todos os problemas que tivera ao longo daquela semana.

sábado, 8 de agosto de 2009

O Maníaco do Circo - Livro da Semana


Tive o grande prazer, o imenso privilégio de ser um dos primeiros a ler o novo livro do escritor Leonardo Barros, O Maníaco do Circo. O jovem autor, consagrado pelo sucesso de crítica e público de O Amor de Yoni, apresenta, em seu novo livro, um maior amadurecimento, tanto no tocante à criação dos personagens quanto ao roteiro e desenrolar da história.
Em O Maníaco do Circo o leitor é convidado a entrar numa trama recheada de bons e marcantes personagens, numa trama repleta de mistérios e medos e com fortes toques de misticismo por parte de Renato, um dos protagonistas da história, sendo ele uma espécie de guerreiro, escolhido, predestinado a livrar o mundo de demônios, encarnados nos corpos de belas mulheres e de palhaços, que ele os atrai habilmente para executa-los. Um a um, Renato executa os "demônios" que encontra pelo caminho. Ao executar tais "demônios", ele executa, também, um pouco de seus medos, adquiridos quando era uma criança pobre, solitária, que tinha uma mãe com diversos tipos de problemas e dificuldades, e que tinha medo de escuro e de palhaços.
No entanto, Renato tem muito mais inimigos do que seus próprios medos de infância e os "demônios" a que tem que eliminar, pois devido à suas atividades ilícitas com a distribuição e venda de drogas (ecstasy) acaba atraindo a ira de um policial, Valdo (que teve uma aparição no romance anterior, O Amor de Yoni), que, desconfiado das atividades de Renato, resolve, a todo custo, desmascara-lo e coloca-lo atrás das grades. E quando Renato, em sua missão, acaba matando Natália, noiva de Valdo, descobre que a caçada empreendida pelo policial pode ser muito mais ameaçadora e implacável do que ele pode imaginar...

Envolvente, bem escrito e contagiante, a leitura de O Maníaco do Circo prende o leitor desde as primeiras páginas.

O Maníaco do Circo Será lançado oficialmente na ocasião da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no dia 19 de Setembro, no estande da Editora All Print, às 16 horas, numa tarde de autógrafos com a presença do autor. alguns dias depois, no dia 15 de Outubro, será a vez de Natal contar com a presença do escritor para uma noite de autógrafo, na Livraria Siciliano do Midway Mall, às 19 horas.

Maiores informações em www.leonardobarros.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Menino Sorriso e a Bicicleta Liberdade - lançamento de livro


Neste sábado, dia 08 de agosto, as 17h, na praça de eventos do Natal shopping no Festival literário da Siciliano acontecerá o lançamento do terceiro livro de Flor Atirupa. O MENINO SORRISO E A BICICLETA LIBERDADE pela editora Flor do Sal.



O Sorriso e seu avó vivem uma grande amizade e juntos celebrarão os brinquedos da cultura popular, o lúdico, e principalmente, a realização de sonhos. A bicicleta ganho do avô possibilita o menino Sorriso acreditar no seu maior sonho: Conhecer o mundo inteiro. Venha conhecer esta estória e toda a turma do menino Sorriso.

domingo, 2 de agosto de 2009

Uniformização da Língua Portuguesa - artigo


Eu sei que algumas coisas que eu falo podem soar “do contra”, que minha opinião parece ser sempre a contrária da maioria das pessoas. Mas se isso soa, se isso parece ser assim, quero deixar claro que não é de propósito. Nunca quis ser “do contra”, nunca tive ideias de revolução, de mudar o mundo munido apenas com as minhas palavras e minha opinião “radical”. Também quero deixar claro que quando expresso mina opinião, embora às vezes um tanto quanto tardia, é pelo simples motivo de que antes de falar, eu penso muito, chego, por vezes, a fazer verdadeiros estudos acerca do tema em questão, e, além do mais, eu espero o “polêmico tema” esfriar um pouco. Espero que ninguém mais toque nele, como se tivesse sido simplesmente esquecido. E quando isso acontece é que eu, finalmente, expresso a minha opinião, pensada, estudada, com o objetivo de retomar o tema “esquecido”, mas que é tão importante.
Aconteceu isso com a política de cotas nas universidades. Quando ninguém mais tocava no assunto, quando ele parecia esquecido, foi que resolvi abrir a boca e dizer o que penso sobre o assunto. E agora estou eu, aqui, para emitir minha opinião acerca do tão controverso “acordo ortográfico da língua portuguesa”.
É de conhecimento público e mundial que nós, brasileiros, fomos os primeiros e, até agora, únicos entre todos os países de língua portuguesa a adotarem o Acordo Ortográfico. E então eu pergunto o motivo disso. Se é por mero exibicionismo (algo do tipo: fomos os primeiros em alguma coisa!) ou se os motivos são mais complexos e não tão simples de serem resolvidos com um mero acordo, como se chegassem os representantes de cada país e se reunissem, apertassem as mãos uns dos outros, assinassem um documento e o firmassem, dizendo que a partir de tal dia, todos, nos quatro cantos do mundo, que falassem português, o fizessem da mesma maneira.
Não sou de acordo com tal acordo, primeiro porque a língua é mutável, e não se faz necessários tais artifícios, como a formalização de um acordo, para que aconteça tal mudança. Quando se faz necessário, muda-se de forma natural, como aconteceu tantas e inúmeras vezes com a grafia e o uso de determinadas palavras, com determinados acentos em determinadas ocasiões. E isso é claro quando vemos a questão do trema, aquele acento que ninguém se lembrava de usar, que ninguém nem sabia qual a sua verdadeira serventia. Esse é um exemplo clássico da mudança e evolução da língua. O trema, com o sem acordo, acabaria sumindo de forma natural, sem a necessidade de nenhuma “influência externa”. Outro exemplo é do próprio acento circunflexo de determinadas palavras. No entanto, no caso do hífen acontece o contrário, mostrando a verdadeira forma como nos foi imposto tal acordo. Não havia qualquer indício natural da mudança, no uso de determinadas palavras em que se faz necessário a utilização do hífen.
Mas o que mais me irrita, por assim dizer, nisso tudo, é a questão da “uniformização” da língua portuguesa em todo o mundo. É, sem dúvida, uma iniciativa inovadora e, até certo ponto, interessante. No entanto, se isso acontecer, acho um completo despropósito e desrespeito para com os povos e suas influências, pois toda língua recebe influências externas, incorpora palavras, dependendo dos contatos que se faz. As influência que Portugal recebeu (e recebe) são completamente diferente das nossas, das de Angola, de Timor Leste, e aí por diante. Nós, brasileiros, somos um povo muito miscigenado, e nossa língua, aqui, recebeu influências diversas que os portugueses não receberam. Temos influências dos dialetos indígenas, africanos, europeus (não só portugueses. Olhe e respeite a forma de falar das pessoas que vivem na região mais ao sul do país), orientais, árabes, entre outros. As influências portuguesas, pode ter certeza, são completamente diferentes das nossas. Os contatos que os portugueses recebem são outros, as palavras que a língua lá incorpora são outras.
E a formalização de tal acordo, a uniformização da língua portuguesa põe, ao meu ver, isso a perder, não respeitando a cultura dos povos e seu passado histórico.
A uniformização da língua portuguesa entre os países que utilizam o português como seu idioma oficial é um despropósito.
Os acentos, as palavras, vão sumir, vão surgir novas, mas isso de forma natural, gradual, e não através de um acordo. O português que se fala aqui é semelhante ao português que se fala em Portugal e em Angola, tanto que você nunca viu, e nunca verá, um alguém do Ceará, Paraíba, Pernambuco ou Rio Grande do Norte falar algo como um “Ora, pois”, nem um português falar “Osh, bixinho”, muito menos um angolano falar “ô trem baum, uai”.
Pensando melhor, pode mudar, parcialmente, o que disso lá no começo desse artigo, quando disse não ser “do contra”, pois posso dizer que, se não o sou totalmente, sou pelo menos parcialmente, na medida do aceitável e do sensato.